A força de um olhar

A regra de ouro
03/03/2020
Maturidade passo a passo
05/03/2020
Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. João 9:1

A criança maltrapilha, parada em um semáforo, não precisa fazer discurso. O olhar suplicante diz tudo o que ela espera receber naquele lugar. A mão estendida e o olhar da mãe de aparência frágil, sentada sob uma marquise e com um bebê no colo, falam por si mesmos. Quando olhares se cruzam, pode nascer o amor que une até à morte. Casais enamorados, mesmo marcados pelo transcurso dos anos, comunicam-se pelo olhar. Há olhares que acusam, condenam, reprovam ou advertem. Há uma força incrível em um olhar. Contudo, nada existe comparável ao olhar amoroso de Jesus.


Certa ocasião, em um sábado, provavelmente depois da Festa dos Tabernáculos, “Jesus viu um homem cego de nascença” e parou para atendê-lo. Muitos outros o viram, pois ele costumava mendigar naquele lugar. Os discípulos, observando-o de relance, viram-no sob a ótica da crendice tradicional: “Mestre, quem pecou: este [homem] ou seus pais, para que ele nascesse cego?” (Jo 9:2). Jesus, porém, atentou para o pobre homem, vendo nele uma pessoa em grande necessidade. Percebeu claramente a oportunidade de revelar o poder de Deus. Ele sempre teve Sua atenção voltada para o ser humano, não importando a condição deste. Por isso, veio salvar perdidos, curar doentes, fazer cegos enxergarem, paralíticos andarem, ressuscitar mortos, aceitar, perdoar e salvar. Parou, aproximou-Se dele e o curou.


Aquele foi o olhar da compaixão, o mesmo que Ele direciona a mim e a você. Jesus Se identificou com as dores e necessidades do cego. Quando Sua misericórdia despertou uma resposta de fé, os olhos daquele homem foram abertos. Transbordando gratidão, não temeu dar glória a Deus e adorá-Lo.


Todo aquele que se rende ao olhar de Cristo é transformado. Pedro teve essa experiência. No pátio do Sinédrio, enquanto o Mestre enfrentava o julgamento, esse discípulo negou conhecê-Lo. Por um momento, os olhares de Cristo e Pedro se cruzaram. O de Cristo, profundo, mas não de censura, fez com que Pedro visse a si mesmo tal como era. Ao cantar do galo, arrependeu-se e “chorou amargamente”. Nunca mais foi o mesmo.


Focalizados por Seu olhar, estamos na luz. Cristo pode nos ver em nosso pior estado, mas não nos discrimina, não rejeita nem condena. Nenhum bem deste mundo é mais precioso que a bênção desse olhar.